Depois dos 25...



Já não me lembrava bem como era fazer bodycombat. Tinha nuances do meu rabo de cavalo em saltos intempestivos e da minha respiração sôfrega, numa busca desesperada por oxigénio. Mas eram apenas nuances, desarrumadas numa gaveta da memória a longo prazo.
Claro que quando o professor me perguntou se já tinha feito bodycombat eu dei-lhe um sim rotundo e orgulhoso, qual pavão real abanando as penas coloridas.
Dez minutos depois, arfante, suada e despenteada, dei por mim a pensar: Socorroooo! Ainda faltam 50 minutos, não vou aguentar!
Aguentei, forte e firme, que depois de me ter pavoneado não me restava outro remédio.
Entre socos, pontapés e pontapés com salto incorporado, o tempo foi passando, meio em jeito de sessão terapêutica (fantasiar o espancamento de uma ou várias caras que nos incomodam é altamente relaxante), meio em jeito de tortura medieval non stop.
Até que a 15 minutos do fim (sim, tinha o relógio de parede sob controlo), o professor parou. Parou de saltar, parou de gritar, parou de esmurrar em todas as direções, parou de pontapear o ar. Parou. Eu mal podia acreditar. Tinha sobrevivido.  O meu rosto esboçou um sorriso a meio caminho entre o alívio e a incredulidade. Fomos buscar os colchões para deitar-nos  e fazer o relaxamento, ao som de alguma uma música tranquila e serena. Harpas talvez. Quando as colunas começaram a berrar  “You blocked me on facebook and now you are going to die!” com uma batida de festa de after às 6 da manhã, eu vi logo que a coisa não estava para harpas.  Sai uma sessão intensa de abdominais e flexões para o colchão do canto! Aguenta, aguenta, aguenta!
Aguentei, como uma campeã, afinal não foi nada mais intenso que os meus treinos diários de ténis e basket, entre os 12 e os 18 anos. Só que agora tenho 26 e o único treino diário que faço é subir e descer as escadas do metro (que às vezes até são rolantes).
A idade não perdoa náo é só uma frase feita, um lugar comum. Não. A idade não perdoa foi toda uma noite sem dormir e todo um dia em casa no sofá,  com dor de barriga. Que é como quem diz, cãibras nos abdominais superiores e inferiores, tao fortes que não conseguia estar de pé.   
 A boa notícia é que esta semana voltei à aula de bodycombat e até agora não tive problemas em dormir nem em manter-me de pé. Os gémeos doem-me um bocadinho vá, mas no Verão vou estar toda uma Gisele Bundchen!  





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