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A mostrar mensagens de Julho, 2013

"Se essa rua, se essa rua fosse minha..."

Recebi um email da minha mãe com uma notícia constrangedora. Mudaram a morada da nossa casa. Durante 6 anos vivi, com os meus pais e a minha irmã, no Vale da Amoreira, 8000 Faro. Depois, mudaram o código postal, mas as cartas continuaram sempre a ir lá ter. Eu saí de casa e, quando voltei para passar as férias, também já tinham posto um nome à rua. Que Vale da Amoreira era muito vasto. E agora, como não tem mesmo nenhum assunto mais importante em que investir o seu tempo, a Câmara Municipal mudou o nome da rua, outra vez. Para quê? Para as pessoas irem todas em pregrinação à oficina do cidadão, que aposto que está com funcionários reduzidos em razão das férias de Verão. Mas os que lá estão, com certeza estavam aborrecidíssimos e estarão agora cheios de vontade e genica para mudar os documentos de toda a gente que morava no Vale da Amoreira e noutros bairros afectados.  E continua a morar. E, no entanto, não. Pergunto-me se, estando Portugal na banca rota, sendo os seus políticos ala

Arroz com lulas a troços

Quarta-feira à noite. Estava eu descansadinha da vida a jantar, um arroz con lulas a troços, quando de repente, não mais que de repente, começou-me a doer um dente. Engalfinhou-se o arroz com o troço de lula pela cavidade do dente. Fui logo abrir a boca ao espelho para ver o que se passava. Uma imagem de um sexappeal inimaginável. O que se passava era que me estava, está, a despontar um dente do siso. O pânico! O dente estava ali, entalado entre a gengiva e a parede da boca, e doía. Oh meu deus e agora, e agora o que é que eu faço? Vai doer mais e vou ter de operar e vou ficar com a cara inchada e vou parecer a popota e não vou poder ir trabalhar e vai doer muito!... Fiz o que qualquer pessoa de 27 anos faria. Liguei à minha mãe. Falei com a mãe, com o pai e com a irmã, que se revelou a maior experta no tema. Diz que tirou os 4 dentes do siso, 1 por operaçao e 3 arrancados. Diz que arrancar nao dói nem incha, que isso só acontece quando se opera, mas como o meu dente já esta a sai

Quando 26 já são 27

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Os 27 não foram uma festa de arromba. Era uma terça-feira e na madrugada seguinte, tinha que estar no aeroporto às 6 da manha para uma viagem de trabalho. Oh senhores que melhor ressaca de aniversário que ouvir o despertador cantar às 5.15? Mas tentei não pensar muito nisso. Pensei em quantos anos já passaram. Senti-me aliviada por ainda ter a nítida lucidez para recordar todos e tantos momentos, que a brincar a brincar já foram há mais de 10 anos, há mais de 20...! Senti-me feliz por preservar tantas amizades de todos esses anos. E, claro, por receber centenas de desejos de feliz aniversário, de família e amigos dos 4 cantos do mundo. Porque em 27 anos tive a sorte, gigante, de dar umas quantas voltas pelo mundo. Os aniversários são sempre uma espécie de teste, um balanço que se o resultado for desequilibrado pode terminar numa depressão profunda. Então, para dar mais emoção a esta prova decidi nada mais nada menos que pôr toda a gente de pé em cima duma prancha, com um remo

A primeira a casar

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Quando éramos teenagers tínhamos uma conversa recorrente, sobre quem se ia casar primeiro.   Era uma conversa desajeitada, apoiada num futuro tão longínquo que só servia mesmo para especular umas gargalhadas. Volvidos mais de 10 anos sobre estas conversas, continuamos todas solteiras, tanto quanto sei (meninas??!). Há namorados, há vidas conjuntas, há filhos! Mas bolo de casamento que é bom, não houve nenhum. Assim, contra todas as expectativas, a primeira a casar-se foi um amigo meu de Barcelona. Conheci-o há um par de anos e desde os primórdios que me pedia que lhe apresentasse amigas. Que se queria apaixonar e casar. Que queria uma vida a dois tranquila e sossegada. Que queria ter filhos. Eu olhava para ele e ria, descrente. Não acreditava mesmo que um rapaz com 25 anos e todas as possibilidades pela frente pudesse ter como objetivo imperial casar-se. Mas ele dizia quem sim e eu dizia vá lá bebe mais um copo e diverte-te. E bebeu, divertiu-se e casou. O meu amigo casou. Não fo

O baile do Maracanã

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Eu até simpatizo com a Espanha, mais que não seja porque vivo nela.   Em Barcelona. O que faz com que eu até simpatize com a seleção de futebol espanhola, mais que não seja porque é, em essência, a equipa do Barça mais o Casillas (e o Sergio Ramos, mas isso passa-nos ao lado hahahaha!). O que considero de imensa antipatia era este espírito de soberbia e arrogância que pairava sobre os meios de comunicação e contagiava a malta espanhola e, pasme-se, até mesmo a catalã. Foram dias seguidos de “Somos os melhores do mundo”, “Claro que vamos ganhar ao Brasil”, “Vai-se repatir o Maracanazo” e blábláblá. Não havia sombra de dúvida nas paellas desta gente. A seleção espanhola era la hostia! E o Brasil? Bom, o Brasil era um adversário difícil mas claramente inferior ao tiki-taka campeão da Europa, campeão do mundo! Que o são com todo o mérito mas era preciso alardear? Era preciso esbanjar confiança? Não.   Não era. Quem é que já ouviu o Nadal dizer que é o melhor do mundo antes de joga