O baile do Maracanã



Eu até simpatizo com a Espanha, mais que não seja porque vivo nela.  Em Barcelona.
O que faz com que eu até simpatize com a seleção de futebol espanhola, mais que não seja porque é, em essência, a equipa do Barça mais o Casillas (e o Sergio Ramos, mas isso passa-nos ao lado hahahaha!).
O que considero de imensa antipatia era este espírito de soberbia e arrogância que pairava sobre os meios de comunicação e contagiava a malta espanhola e, pasme-se, até mesmo a catalã. Foram dias seguidos de “Somos os melhores do mundo”, “Claro que vamos ganhar ao Brasil”, “Vai-se repatir o Maracanazo” e blábláblá. Não havia sombra de dúvida nas paellas desta gente. A seleção espanhola era la hostia! E o Brasil? Bom, o Brasil era um adversário difícil mas claramente inferior ao tiki-taka campeão da Europa, campeão do mundo! Que o são com todo o mérito mas era preciso alardear? Era preciso esbanjar confiança? Não.  Não era. Quem é que já ouviu o Nadal dizer que é o melhor do mundo antes de jogar uma final contra o Federer? Ou vice-versa? Ninguém.
É uma questão de atitude, de espírito e de noção da realidade.
Duas taças subiram-lhes à cabeça. Perderam aquela humildade tão Iniesta que marcava La Roja. E toda a gente sabe o que acontece quando uma coisa sobe muito. Estatela-se em grande e ao comprido!
Foi assim, com um redondo 3-0 de compasso, que nuestros hermanos levaram um baile de samba que os pôs de volta no seu lugar. Que lhes recordou que o Brasil é o único país penta campeão do mundo.  Que a Espanha teve um subidón mas o Brasil é subidón por nascença. Um país onde o futebol é cultural e genético, como o samba. Onde as pessoas têm raça e são mais lutadoras não por serem mais corajosas mas por passarem mais necessidade.  Um país que jogava em casa. Que dizer do Maracanã? Então os espanhóis achavam mesmo que iam sair com uma taça de um estádio com 100.000 brasileiros a gritar pelos seus?
Se as duas equipas estavam equilibradas, aí estava o nítido desempate. Os comentadores  referiam, incrédulos “Como grita el Maracaná, no para ni un segundo!”. Pois claro que grita senhores! E esperneia! E transforma o jogo da Espanha num autêntico inferno! Eu não tinha nenhuma dúvida de que seria assim.  Só não sabia que a Espanha ia parecer o Tahiti. Pensava que os melhores do mundo marcariam pelo menos um golo. Nada. Népias. Rien de rien.   
Brasil - justo campeão da Copa das Confederaçoes 2013.
Espanha – uma merecida cura de humildade.   



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