"Se essa rua, se essa rua fosse minha..."

Recebi um email da minha mãe com uma notícia constrangedora. Mudaram a morada da nossa casa. Durante 6 anos vivi, com os meus pais e a minha irmã, no Vale da Amoreira, 8000 Faro. Depois, mudaram o código postal, mas as cartas continuaram sempre a ir lá ter. Eu saí de casa e, quando voltei para passar as férias, também já tinham posto um nome à rua. Que Vale da Amoreira era muito vasto. E agora, como não tem mesmo nenhum assunto mais importante em que investir o seu tempo, a Câmara Municipal mudou o nome da rua, outra vez. Para quê? Para as pessoas irem todas em pregrinação à oficina do cidadão, que aposto que está com funcionários reduzidos em razão das férias de Verão. Mas os que lá estão, com certeza estavam aborrecidíssimos e estarão agora cheios de vontade e genica para mudar os documentos de toda a gente que morava no Vale da Amoreira e noutros bairros afectados.  E continua a morar. E, no entanto, não.
Pergunto-me se, estando Portugal na banca rota, sendo os seus políticos alarde motivo de chacota e vivendo o povo em descontentamento e recessão, não há mesmo nada mais interessante, nada mais proveitoso que as Câmaras Municipais possam fazer, que andar a mudar os nomes das ruas.
Aparentemente não.
Não sei se será alguma estratégia psicológica para induzir as pessoas a pensar que como mudaram de rua já não têm de se preocupar com a hipoteca da casa,  nem com as contas da luz, da água e do gás, nem com o condomínio, nem com o fim do mês, nem com o chichi do gato do vizinho no elevador. Eu, pessoalmente, acho que as pessoas se vão dar conta de que continuam a viver na mesma merda. Mas isso sou eu.
A mim, o que me frustra verdadeiramente, é não saber quem macacos dá o nome à nossa nova rua. Para colmatar essa inadmissível lacuna, tive que ir procurar o nome no Google, sendo que o próprio Google não tem mais de 4 parágrafos sobre dito sujeito, que nem sequer é sujeito mas o pseudónimo de um actor.  Um pseudónimo? Espera lá, mas isso é legal, dar um pseudónimo a uma rua em vez de um nome? Ainda por cima de um actor quem nem sequer ganhou um Óscar, nem qualquer tipo de prémio ou reconhecimento (que se ganhou o Google não sabe). O pai era gestor de um banco, o que gera logo antipatia, e ele nasceu em Faro. Pronto, uma rua em Faro, é coerente que tenha o nome (o pseudónimo!) de alguém que nasceu em Faro. Além do que Camões já está muito batido e a Amália nasceu em Lisboa.  Madre Teresa de Calcutá, Neymar,  Michael Jackson, Steve Jobs, Oprah Winfrey, Diogo Morgado também estavam todos disponíveis, mas lá está, nenhum deles nasceu em Faro.
Entendendo a limitação evidente que é ter de pescar um nome parido em Faro, resigno-me com o pseudónimo que nos puseram à rua. Mas que dizer do número senhores?!
Antes, os meus pais viviam no número 6 agora... sao o 13!

Bolas, é que é mesmo azar!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O síndrome de Bridget Jones

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens