NYFA

Pela primeira vez, quando me perguntam o que estou a estudar, as pessoas percebem a resposta. Porque não são ciências da comunicação. Porque não é direção de comunicação empresarial e institucional. É screen writing. E screen writin é claro, é fácil de entender e quando acabamos de dizer writing o nosso interlocutor ainda se lembra do screen. Coisa que não acontece com direção de comunicação empresarial e institucional. Screen writing é hot! Portanto, em vez de um “ah...o que é isso?” a pergunta seguinte é “Uauuu! Onde?”. Na New York Film Academy. E pronto, aqui acaba-se o entusiasmo. A audiencia quer ouvir NYU ou Columbia. Ironicamente, a New York Film Academy não aparece nos filmes. Eu também gostava imenso de ter um student id da NYU ou da Columbia. Mas não tenho 20.000€ para pagar por semestre, não encaixo em nenhum tipo de bolsa académica nesta área, nem me posso dar ao luxo de não trabalhar durante um semestre. A New York Film Academy oferece work shops intensivos em 2 meses, a um preço acessível e sem nenhum requisito especial para entrar. E se o Steven Spielberg achou que era boa o suficiente para mandar o filho dele, então, má não deve ser. Confesso que as salas de aula e as instalações em geral deixam muito a desejar. Não há cadeiras suficientes, não há espaço para escrever, as paredes têm buracos, não há uma cafeteria, só vending machines. Mas dão-nos uma t-shirt da Universidade quando nos registamos e isso é simpático! Subindo pelos 4 andares da sede de Union Square tropeçamos em caixas, malas, acessórios, câmaras e outros items cinematográficos. Não é um cenário harmonioso, nem bonito, nem luminoso. Mas é um cenário dinâmico e verdadeiro. Há sempre alguém a editar, a filmar, a escrever ou a preparar a fotografia do próximo filme. Não há uma biblioteca, há laboratórios de edição e salas de projeção. Ou seja, não é nada o meu mundo, eu sei. Não vi metade dos filmes que saem à baila durante as aulas, não conheço metade dos diretores citados pelas professoras. Não sou uma movie nerd, não estudei cinema, nunca trabalhei em nada que se parecesse e não discuto a posta em cena de um filme quando saio da sala. Não. Quando saio de uma sala de cinema deito fora o balde das pipocas e vou à casa de banho. Essa sou eu. Eu só gosto de escrever. Eu só quero aprender como se escreve um guião porque acho que vai melhorar os meus writing skills e ajudar-me a entender melhor essa composição mágica entre som, imagem e texto, que é o cinema. Às vezes sinto-me uma outsider.
Mas depois vejo os autocolantes da Hello Kitty no computador da professora  de feature writing workshop, Gabrielle, ou os nomes de Barthes, Foucault e Brecht no quadro da professora de elements of dramatic narrative, Kate, e sinto-me em casa. Também sinto uma ponta de desespero, algo como “oh não, eles outra vez!”.  Na primeira aula a Kate perguntou se já tinhamos pensado em matar alguém no metro. Toda a gente se calou e olhou para ela em choque.  Eu, até então calada, levantei a mão e disse “Sim, seria tão fácil matar alguém no metro”. Ela sorriu em anuência “Right!”. Eu e a minha professora lunática temos mais coisas em comum do que parece. E não são instintos assassinos.

I belong without belonging.
   

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