Um novo record pessoal

Descobri, na semana passada, que a Ryanair adotou uma nova política de atribuir lugares aos passageiros. Mudou a minha vida. Fui, pela primeira vez, a primeira pessoa a embarcar. Não era a primeira da fila, mas fui a primeira a ouvir que os passageiros com as filas do meio passavam à frente. Passei, entrei, não vi ninguém. Caminhei pela “manga” sozinha, o êxtase a disparar, seria possível? Seria mesmo a primeira pessoa a embarcar, depois de tantos anos a fazer fila?  Um saco do lixo preto cortou-me emoção. Ser a primeira a embarcar tem destas coisas. A limpeza do avião ainda não está feita e as hospedeiras de bordo estão a petiscar à porta, na amena cavaqueira. Mas nada como dar os primeiros passos, avançar pelo corredor sem nada mais que as portas traseiras à frente, despir o casaco, pousar a mala sem pressas e arrumá-la sem pressões. Sentei-me a observar com desdém o ritual agitado dos demais passageiros que entraram DEPOIS de mim. Ahahahahahahahahahahaha!
O embarque acabou sem que me apercebesse, aliás, só me apercebi porque chamaram o meu nome pelo microfone. Ena pá! Estava mesmo em dia de sorte! Convencida de que tinha ganho algum sorteio da Ryanair (apesar de saber perfeitamente que não tinha participado em nenhum) joguei logo as mãos ao ar, sou eu sou eu! E a hospedeira aproximou-se, trazendo na mão um papel e nos lábios e um sorriso cúmplice “O seu voo é amanhã, tem de abandonar o avião”. “ O quêêêê?”. O pânico, a mortificação!
Comecei a sentir uns calores, uma vermelhidão a subir-me pelo pescoço acima, todos so olhos postos em mim, toda a gente a pensar olha esta naba que agora nos está aqui a atrasar o voo. Seguiu-se um animado debate com uma senhora de colete verde florescente que, prontamente, me tirou do avião e já o estava a despachar sem mim, apesar de eu insistir em explicar que tinha dois bilhetes, um para o dia seguinte e um para aquele voo. Mostrava-lhe os emails no telemóvel mas nada a demovia. Limitava-se a mostrar o meu cartão de embarque, que, efetivamente, tinha a data do dia seguinte. Impossível, porque eu tinha conferido 10 vezes que era a data do dia certo. Até que num momento iluminado percebi o que aconteceu. Eu tinha imprimido os dois cartões de embarque e tinha-os guardado no mesmo sítio... deixei-a com o meu telemóvel na mão, fui a correr para a minha mala, fitada com patente impaciência.  Abri o bolso da mala e lá estava ele, o cartão de embarque certo! Entregeuei-o, vitoriosa, à senhora do colete verde fluorescente. Apercebi-me que,afinal, nem sequer estava sentada no lugar certo, mas não fazia mal, o avião ia meio vazio. Ainda bem, os que havia foram suficientes para me  intimidar.

Pela primeira vez na minha vida, fui a primeira pessoa a embarcar no avião. E a última. 
Isso sim, é inédito. 

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