Páscoa vermelha

As melhores memórias de Páscoa são aquelas manhãs à procura dos ovos kinder que os meus pais tinham escondido. Atrás de uma moldura, debaixo da almofada, na cesta das frutas... eram tantos! E nós rejubilávamos! Primeiro a vasculhar a casa, depois a dar um fim condigno e saboroso a todos aqueles chocolates.
Com o passar dos anos, a caça ao kinder foi substituída por um ovo gigante da Guylian, que recebo sempre que passo a Páscoa em família. O problema é que isso não acontece há muito tempo.
Este Domingo de Páscoa foi particularmente aborrecido, sem família, nem amigos, nem ovos gigantes, nem ovos pequenos. Barcelona estava de chuva e eu na cama com gripe, a lembrar com nostalgia outras Páscoas mais felizes. A Páscoa de Erasmus em Siena, com os amigos de Portugal que vieram visitar e a mãe do meu roomate que cozinhou tortilla para todos. A Páscoa em Nova Iorque, desde o  topo do Rockefeller e do Empire State, na minha primeira visita à cidade mais espetacular do mundo. A Páscoa em Toledo entre as muralhas encantadas. As Páscoas da adolescência, que valiam por si mesmas só porque eram férias!
Estava eu neste apurado estado melancólico quando os meus pais me ligaram para desejar feliz Páscoa, o que me animou logo um bocadinho.  Mais tarde, o meu pai enviou-me uma mensagem a anunciar que o Benfica era campeão!
Continuava mau tempo, a tosse não tinha parado e o número de ovos de chocolate ingeridos estava ainda a zeros. Mas o Benfica era campeão! Trinta e três vezes campeão!

Páscoas há muitas, campeonatos não! 


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