Sobre os novos reis de Espanha

Consta que estou a viver um momento histórico em Espanha e, no entanto, preocupa-me muito mais o joelho do Cristiano Ronaldo. Eu até simpatizo com o Felipe e com a Letícia. Derreto-me com a Leonor e com a Sofia, que gramaram uma real seca na cerimónia de coroação de Felipe VI. Aguentaram como duas senhoritas, coladas às suas magnânimes cadeiras com estofo vermelho e rebordos dourados, desde as quais não tocavam com os pés no chão.
A celebração foi assistida e certificada pelo congresso, pelo senado e pelo governo espanhóis.  O que, por um lado, afirma a democracia da monarquia e, por outro, instala esse antagonismo que desboca em tantas manifestações onde o som da República se ergue pelas calles.  O conceito de Rei não é democrático. Alguém que por nada mais que berço está acima de toda a gente e tem uma vida de luxo, paga pelos trabalhadores, quando ele mesmo não trabalha, choca de frente com a democracia.
Porque eu não concebo como trabalho vestir roupas de design e ter um beauty squad e um avião privado para andar a assistir eventos pelo mundo, em representação do país. Espanha tem um Presidente, Espanha tem embaixadores, Espanha tem mais políticos que cargos disponíveis. Espanha não carece de uma família real para a representar. Muito menos se é uma família cujos últimos escândalos, dos elefantes aos desvios de dinheiro, não abonam nada de bom à imagem do país.
A verdade é que os Espanhóis poderiam viver tranquila e felizmente sem um Rei.  Não defendo o uso da guilhotina nem a organização de um golpe de estado, mas um referendo teria sido justo. Perguntar ao povo se quer continuar a sustentar  uma instituição decadente e atualmente desprovida de um sentido funcional . Se a resposta fosse não, com certeza que os reis conseguiriam arranjar outros trabalhos, bem educados e viajados que são.  Também poderiam sempre vender propriedades e pôr algum palácio em aluguer.  A Letícia faria uma fortuna como blogger de moda e/ou a vender vestidos e jóias no Ebay.  Repito, eu até simpatizo com eles, mas quando ouço a aclamação “Viva el Rey!Viva Espanha!” sinto que vivo algures nas trevas da Idade Média.  


Foto de www.minutouno.com

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