Problemas de primeiro mundo

Andava imersa nos meus problemas de primeiro mundo:  quero escrever um filme de terror original; a minha ex caseira não me devolve a fiança; não posso ir à praia no pico de Agosto porque está a chover; que telemóvel comprar, Samsung ou iphone?
Eis se não quando, tive um ataque de consciência, um reality check, um momento de relativizar a perspetiva.
Há um grupo terrorista que não arranjou coisa melhor para fazer que perpetuar um massacre da Síria ao Iraque, decapitando pessoas e comendo os seus corações. Tudo devidamente gravado e disponibilizado no youtube. Conteúdos posteriormente removidos por infringirem a política anti-violência do canal. A sério, acham mesmo que infringe???!
ISIS, este grupo de animais (peço desculpa aos porcos, vacas, leões e toda a fauna que se possa sentir ofendida com a comparação), não está só a infrigir a política de anti-violência do youtube, está a infrigir todas as leis dos direitos humanos e a própria humanidade. Está a levar a cabo um crime chamado holocausto e, assim de repente, não vejo ninguém a fazer nada. 
Onde estão os Estados Unidos, que tão prontamente invadiram o Iraque em 2003? 
Onde está o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se chama SEGURANÇA? 
Onde estão os media? A atirar lenha para a fogueira na Ucrânia? A semear o pânico com as notícias da crise do Ébola? A decidir se os maus são Israel ou a Palestina? Sim, são temas de interesse público. Mas já sabemos. Agora está a acontecer um HOLOCAUSTO aqui ao lado, estão a matar muçulmanos, indígenas, arménios, cristãos, yazidis e um pouco de tudo o que se mexe.  Este tipo de coisas costuma ter valor-notícia máximo. Ou pelo menos é o que nos ensinam nas aulas de jornalismo.  
Falho em compreender como é que seres humanos podem torturar, violar e assassinar a sangue frio outros seres-humanos, civis inocentes, mulheres e crianças (a ISIS gosta especialmente de decapitar crianças e espetar as cabeças em paus). 
Serão pessoas? Não, não podem ser.  
São terroristas. Corpos que perderam a alma pelo caminho e cujos corações se fizeram cegos, surdos e mudos. Não osbstante, aclamam Alá e a religião como justificação para os seus atos grotescos e nauseantes. 
Pobre Alá! Se a Al-Qaeda já tinha deixado a sua reputação de rastos, a ISIS está a garantir que jamais recuperará uma boa imagem na Terra. 
Como é possível que em pleno século XXI, se repita um holocausto? 
Isto sim, eu compreendo perfeitamente. 
É possível, porque há muito “boa” gente  a financiar a ISIS, direta e indiretamente. É possível, porque se há poder e poços de petróleo em jogo, então vale tudo! Uns povos a mais uns povos a menos, que diferença fazem no mundo, não é verdade? Revoltante, doentio, repugnante. 
Mais terroristas que os próprios terroristas, são os investidores do terrorismo. Políticos e milionários na sua maioria, todos mafiosos.  Encontrem-nos, prendam-nos, matem-nos, façam o que quiserem. Mas façam alguma coisa, já.  
Todos os meus problemas de primeiro mundo têm solução. 
Menos o filme de terror. Porque em comparação com a realidade, as minhas ideias para um filme de terror são todas uma comédia. 

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