A maratona de pais e mães

Ia descendo a Rambla Catalunya, quando fui interrompida por uma senhora em desenfreada corrida. Ia a toda a velocidade, desgarrada e esbaforida.
O que foi que lhe aconteceu? Precisa de ajuda?
Os caracóis urgiam cima a baixo no farto cabelo negro. A cara espressava ânsia, misturada com falta de preparação física, produzindo um efeito pouco lisonjeador.
Cuspiu pelo caminho algum olá de circunstância, tão rápidao, que ainda sendo um olá, foi mesmo um adeus.
Continuou no seu passo a fundo pelo passeio, com minunciosas manobras para evitar choques e atropelos, que era só o que lhe faltava agora ter um acidente!
Ou será que já tinha tido o acidente e por isso corria?
Será que lhe roubaram o telemóvel? A carteira? O carro?
Nada disso.
Muito pior!
A nossa Rosa Mota era uma mãe que chegava tarde ao colégio para ir buscar os filhos.
Não abrandou, nem quando já estava a meio do corredor da escola, que eu fiz questão de espreitar para confirmar.
Não cheguei a ver as crianças, mas sei que se fossem como eu era aos 6 anos, já estariam lavadas em lágrimas, convencidas de que tinham sido abandonadas para todo o sempre. Oh sim, eu era assim! Cinco minutos podem ser o fim do mundo quando temos 6 anos.
Por isso, estou convencida de que não há mãe, ou pai, que nunca tenha participado nesta mesma intensa e exigente corrida, para chegar a horas à hora da saída.


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