In-de-pen-quê?

Hoje é o dia em que o mundo inteiro revive o atentado terrorista que, há 13 anos atrás, mudou o curso da história. O mundo inteiro relembra o choque. O mundo inteiro arrepia-se outra vez perante as imagens que todos vimos centenas de vezes. E o mundo inteiro treme, um bocadinho, com a agonia de saber que nada nem ninguém está a salvo, em nenhum lado.
O mundo inteiro menos a Catalunha. Onze de Setembro é o dia da Catalunha, ou La Diada de Catalunya, na versão original. Um dia de celebração da história e cultura catalanas e das suas gentes. Um dia de orgulho patriótico.Um feriado desejado e amado. Uma data convertida numa agenda política. E aí se acaba a poesia do 11 de Setembro Catalão.
Hoje, desde tenra manhã, pululavam pelas calles as camisetas vermelhas e amarelas, as mochilas, os suspensórios e as bandeiras. Mas não eram camisetas vermelhas e amarelas em homenagem à Catalunha, nem mochilas, nem suspensórios. Eram pedaços de merchandising barato pela independência, marcados com o símbolo V, referindo-se ao direito de voto num referendo para a independência catalã, acompanahdo do slogan “Agora é a hora”. E as bandeiras também não eram as bandeiras da Catalunha, eram a Estelada, a bandeira independentista Catalã.
Os independentistas apoderaram-se do 11 de Setembro, roubaram as celebrações e implantaram marchas revolucionárias. Distorceram o significado da palavra catalão, que agora engloba apenas esse séquito da população nascida na Catalunha que defende a separação de Espanha. Quem não defende a independência é fascista.
Numa altura em que escorre pelas notícias o escândalo de Jordi Pujol, presidente da Catalunha durante mais de 20 anos e acusado de ter desfalcado mais de 200 milhões de euros durante esses 20 anos, parece-me curioso esta independentismo exarcebado. Com certeza não pode ser por acharem que os políticos catalães são melhores que os outros?!
O que significa, afinal, a independência? Se amanhã a Catalunha acordasse um país independente de Espanha, o que mudaria realmente?
Ninguém sabe, ninguém responde.  
Porque é tão crucial para o futuro, ser independente? 
De uma rocambolesca lista de razões económicas, possíveis de resolver com acordos com o governo central, a razão principal para estas pessoas serem independentistas é basicamente a mesma pela qual são sócios do Barça. Porque os pais lhes disseram que era assim. Porque os pais dos pais os educaram assim. Porque os pais dos pais dos pais incutiram neles este espírito porque eles mesmos tiveram pais que nunca aceitaram a conquista da Catalunha.
Não deixa de ser irónico que os ferozes apregoadores da idependência e da liberdade são incapazes de conceber que outras pessoas, conterrâneos e imigrantes, não concordem com eles. Que pensem de maneira distinta. Que coloquem outros problemas. Que vislumbrem outras soluções. 
Nananinanão! 
Aqui, só pode fazer parte da Diada quem quer uma Catalunha independente. Os outros são todos fascistas!

E assim desfila hoje a democracia pelas ruas de Barcelona. 





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