Invernando

Como diria o poeta, “de repente, não mais que de repente”, o Verão desmanchou-se no Inverno, sem parar para acariciar o Outono.
As tardes entardeceram na noite cerrada, onde as estrelas tremem de frio.  Os dias envelheceram e o céu chorou torrencialmente.
As galochas suplantaram as havaianas e os grãos de areia hibernaram sob a fúria de um mar revoltado, por ter sido abandonado.
Os passos na calçada são agora mais rígidos e apressados, e por isso as árvores despem-se de elogios e as flores desnudam-se de pétalas, porque sabem que ninguém vai olhar para elas.
As janelas já não querem ouvir o que o vento tem a dizer. A cama, coroada com um endredon de penas, grita, esperneia, implora pela presença de um corpo quente. Torna-se impossível resistir.
E deitados nesse leito de melancolia, a inspiração sussurra-nos fantasias ao ouvido, versos que cortam a respiração, palavras sedentas de amor, de um amor de perdição.
Bebemos uma taça de chocolate quente. Depois de meses de rejeição, o chocolate quente olha de soslaio os batidos e os ice tea, ciente de que recuperou a sua posição de liderança no chart das bebidas não alcoólicas mais vendidas.
Entretanto, as luzes de Natal começam a desabrochar pelas ruas, inundadas de guarda-chuvas. Mas esta é só uma revolução do tempo, do inevitável movimento de translacção que sustenta as voltas que o mundo dá.

Isto tudo para comentar que... chiça penicos, está um frio do caraças!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O síndrome de Bridget Jones

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens