A aterragem

Assim que aterrei em Lisboa e a boa da minha irmã me foi buscar à Portela, a primeira música que ouvi no rádio do carro (o jeep vermelho que os meus pais me compraram quando tirei a carta e andava nos meus early 20's), foi um ritmo de cavaquinho com uma letra melódica e folclórica.  
Não conhecia a canção.
A letra falava da Laurinha e soava a azulejos brancos e azuis com acordes de pedras da calçada. Embalava os ouvidos em portuguesismos esquecidos pela ponta da minha língua, desencadeando o movimento assimétrico e ondulante de ombros e pescoço.
As palavras levavam-me a um tempo feliz e longínquo, aos anos do ciclo e do liceu, lá para os lados dos Algarves. Tirando fumar às escondidas, que para isso nunca me deu, eu também fui a Laurinha.
 Chegar a casa para o Natal é sempre esse solavanco de saudade, memórias e pessoas, e o tempo é sempre escasso para rever todas.

Mas ligar o rádio e ouvir o Miguel Araújo a cantar em vez de uma qualquer Taylor Swift é o bingo das boas-vindas. O saber que estamos onde temos de estar, onde queremos estar, onde será sempre o nosso lugar.

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