Começar o dia

Nunca me senti tão encaixada na humanidade como hoje.  Oito e meia da manhã, o metro  lotado, os passageiros engalfinhados uns nos outros como um puzzle perfeito que se desmancha a cada paragem e rapidamente se reagrupa, imutável.
O paradigma das cidades: a solidão na multidão. Ombro no cotovelo do desconhecido ao lado, cotovelo na a anca do desconhecido do outro lado. O toque da proximididade separado pela distância da coincidência, que nunca mais vamos ver.
Ser parte da amálgama e continuar a ser único, entre dois bocejos e um telemóvel.  
Sentir o calor corporal, não obstante o vento matinal de Janeiro.
E desejar, ardentemente, que ninguém à nossa volta esteja a sofrer prisão de ventre.



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