Je suis Charlie

A religião é o ópio do povo. A religião é um partido político. A religião é a desculpa mais usada para entrar em guerra, desde os tempos das Cruzadas. De certa maneira, a religião é uma serial-killer, que o julgue a Inquisição no tribunal do Santo Ofício.
Tanto faz se é Deus Alá ou Maomé, se é o Papa, o Buda ou o Dalailama. A fé deve ser respeitada, enquanto fé. Nunca como desculpa para atacar, mutilar, torturar, matar.
E, no entanto, cá estamos outra vez. Em pleno século XXI e dois fanáticos da fé atacaram um jornal no país que fundou a liberdade de expressão.  
Ao que parece mataram, entre 12 pessoas, 4 cartoonistas. Os cartoonistas eram o verdadeiro alvo do atentado “para vingar o profeta”, por serem autores de banda desenhada satírica sobre os muçulmanos, publicada pelo jornal em questão, o semanário Charlie Hebdo.  
Não sei o que é mais assustador: andarem por aí aos tiros no meio de Paris, tão descansados da vida, ou acreditarem que o que fizeram está completamente legitimado, em nome do profeta.
Cá disparo esta kalashnikov, cumprimentos, Maomé.
Ah e tal, porque fizeram uns desenhos sem graça com esses lápis do demo!
Que pessoas são estas???
Não são pessoas religiosas. 
São pessoas doentes. Dementes. Desformatadas. Alucinadas.
A revolta e o choque entopem-me as palavras, fomentam uma raiva miudinha e emergem num ódio inevitável e impotente, contra a injustiça.  
Já não sei o que escrever... até porque, depois de escrever o que acabo de escrever, amanhã Maomé poderia, perfeitamente, mandar-me mantar a tiro à porta de casa. 
E lá ia o Pep também, por azar, porque é o porteiro e olha, estava ali...

É isso, não é?

Pois então que venham de lá esses pseudo-heróis, que eu também tenho umas coisinhas para eles, em nome das pessoas que morreram.  Se bem que amanhã não deve dar, amanhã vão estar sem mãos a medir.  Pelo que vi hoje nas televisões, nos jornais, no facebook, no twitter e no instagram, o mundo inteiro é Charlie. 











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