Um dia de Reis diferente

Não me lembro de grandes tradições no dia dos Reis em Portugal, além de comer bolo rei. Lembro-me de ir por aí cantar as Janeiras com a minha turma da primária “Vimos cantar as Janeiras, vimos cantar as Janeiras...” e de nos darem um lanchinho, menos num sítio em que nos mandaram embora e a professora ficou muito ofendida. Verdade seja dita, não cantávamos assim tão bem e as pessoas estavam a tentar trabalhar.  
Aqui em Espanha isso não aconteceria, porque 6 de Janeiro é quando se recebem os presentes de Natal. São os reis os responsáveis por decidir quem se portou bem e quem se portou mal.
Portanto, dia 6 é feriado e ninguém trabalha. Menos eu. Eu fui trabalhar. Mas foi um trabalho diferente. Hoje andei a distribuir presentes!
Tudo começou há um mês atrás, quando me pediram uma campanha de “buzoneo”, que quer dizer deixar publicidade nas caixas de correio (buzones) das pessoas. Acho que falo por toda a gente, quando digo que odeio abrir a caixa de correio e encontrar um mar de anúncios que nada me interessam e que vão diretamente para o balde do lixo mais próximo.
Se querem gastar dinheiro a fazer uma campanha na casa das pessoas sem ser convidados, então, mais vale fazer uma coisa que não chateie as pessoas. Uma coisa de que as pessoas gostem.  Com essa premissa em mente, propus fazer uma campanha em que a marca oferecía alguma coisa aos vizinhos, com a desculpa de ser nova no bairro.  Assim, qual Cinderela, o formato flyer publicitário transformou-se numa bonita caixa de cartão com um laço e uma pequena etiqueta, como as dos presentes. Dentro da caixa colocámos dois chocolates e um convite com uma oferta. Marquei a distribuição para o dia dos reis, para ser coerente com a entrega de presentes. Além disso, o orçamento era praticamente o mesmo que o que teriam custado os flyers  publicitários.
E agora devem estar vocês a pensar "que ideia tão boa"! Pelo que é o momento oportuno para mencionar que eram 300 caixinhas que tive de dobrar e compôr uma por uma. E que nem a fitinha para o laço vinha cortada. Logo eu, que tenho tão poucos dotes, talvez mesmo nenhuns, para os trabalhos manuais.  Foram mais de 12 horas a preparar os presentes em dias que, supostamente tinha folga, e em que a minha ideia me pareceu a pior coisa do mundo, mais 3 horas a fazer a distribuição num feriado de manhã, de porta em porta. Portas que nem sempre se abriam, portas que estavam abertas, portas que se abriam muito mais facilmente perante a frase “estamos a distribuir presentes de dia dos reis” que o convencional “correio comercial!”.
As pessoas a quem tive a oportunidade de entregar os presentes em mãos, ficaram radiantes e muito agradecidas. Outras vi-as de longe, as caras de surpresa e o entusiasmo ao encontrar 20 presentes em cima das suas caixas de correio.   Ainda não tinha acabado a distribuição e já havia gente a ir ao local para agradecer o presente e elogiar a iniciativa. Que muito obrigado pela atenção e que assim é que tinha que ser!

E eu fiquei contente. Contente porque é ótimo para a reputação e aumento do reconhecimento da marca mas, principalmente, porque estava mesmo a dar aos nossos "vizinhos" um Feliz dia de Reyes!










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