Poesia de rua

Gosto da possibilidade infinita das palavras nos trejeitos imprevistos de serem elas mesmas, sendo de pessoas diferentes.
Gosto de poderem ser poesia em qualquer parte, gravada no consentimento do universo, ao lado dos mistérios por descobrir.
Gosto de serem homónimas com significados secretos.
Gosto do inesperado niilista que as governa, fazendo-as de todas e de ninguém, transcendentes nas suas sílabas.
Gosto das conjugações das letras nas coreografias das tipografias.
Gosto de nos permitirem tudo e de nos darem ainda mais, sem pedir nada em troca.
Ou, tão somente uma vírgula aqui e um ponto final ali, para que possam retomar o fôlego da entropia.
Gosto de que nos abram os olhos para ver o invisível que está mesmo à nossa frente, e de que nos sussurrem aos sentidos e não só aos ouvidos.
Gosto de nos seduzirem sem autorização. 
Gosto da complexa simplicidade com que se encontram umas às outras nas frases. 
Gosto de estar a ler Saramago, intercalado com Walt Whitman, e de repente, deparar-me com um verso sem autor numa parede liricamente decadente.
Um verso que não conta um romance calcado na história de Portugal, nem procura extrair a profundeza dos sentimentos traduzidos em poemas.
Um verso sem metáforas, nem hipérboles, nem contexto. Apenas uma comparação, com algo mundano e recorrente.

Mas um verso que prova que todas as palavras podem ser mágicas e intemporais onde quer que estejam. 


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