A praga do Verão

Dia 1:
01.30 da manhã - cheguei a casa esfomeada, com um donnut de chocolate acabadinho de comprar, para me deliciar refastelada no sofá. Abri a porta, acendi a luz e soltei um grito de pavor. No chão, em frente ao frigorifico, enorme e vermelha (se calhar nem era ssim tão grande mas o primeiro choque tem sempre tendência a exagerar) uma barata. Outra vez as baratas. È sempre a mesma lenga lenga em Barcelona, começa a fazer calor e as baratas saem por aí para apinhar sol. A esta altura da vida já tive tantos encontros imediatos que depois do primeiro impacto de desagrado, já agarro num sapato e parto para bingo. O problema é que, enquanto eu avançava para bingo, a barata pareceu ler-me os pensamentos e escapuliu-se por debaixo do frigorifico.
01.35 da manhã – perdi a fome. Guardei o donnut no armário.
01.36 da manhã- a tirar o frigorífico do sítio à procura da barata. Nem rastro da vagabunda.
02.00 da manhã-sentada no chão do hall da entrada, com todas as luzes apagadas exceto a do hall, a olhar para o frigorífico fixamente com um sapato na mão, esperando um ressurgimento, atenta a qualquer movimento.
03.00 da manhã – prestes a adormecer sentada no chão, levantei-me para ir dormir. Barriquei a porta de entrada do quarto com toalhas cadeiras, malas de viagens. Dormi descansada, dentro do possível.

Dia2
09.00 da manhã-abri a porta do quarto com precaução, percorri a sala com a mirada. Nada. Olhei para baixo e ali mesmo, debaix da porta e quase a tocarme o dedinho do bebé. Uma barata horrorosa. Gritei a pleno pulmão, ela assutou-se e fugiu. Poderia ser a mesma da noite anterior, mas ia jurar que era mais pequena. Por falar em mais pequena, também ao aldo d aport havia outra minúsucla, que matei sem misericórdia sabendo que não augurava nada de bom.
09.05 da manhã- a correr de pijama pela escada do prédio para ir busca o Pep, o proteiro.
09.10 da manhã- O Pep borrifou-me a casa de spray anti-baratas e disse-me para não me precupar que elas não mordem. Comentou que os vizinhos do lado também tinham visto uma na casa deles. Excelente, é uma infestação global. Falei com os vizinhos, não foi uma que viram, foram 7. Chamaram a brigada anti-pragas, mas como já era fim-se de semana, só vinham na segunda.
10.00 da manhã- fui comprar spray ao supermercado.
01.30 da manhã-cheguei a casa, todo na paz dos anjos.
03.00 da manhã-estava quase a adormecer quando comecei a ouvir uns barulhos estranhos, levantei-me sobressaltada e apanhei uma barata a correr debaixo da cama. Taquei spray nela, subiu-me pela gaveta dos biquínis acima. Tirei a gaveta, encontrei-a debaixo da estrutura de madeira com as patinhas para cima, quase morta. (Aposto que estão a adorar estes pedaços de descrição detalhada). Varri-a, deitei-a pela janela. Fui dormir, muito pouco descansada.

Dia 3
09.00 da manhã – fizeram-me limpeza a fundo de casa e eu espalhei 6 armadilhas e spray por todos os recantos.

Dia 7
14.45 – Chegou o senhor da Todoplaga com uma teoria revolucionária de que as baratas estavam no teto falso, e que o vizinho estava cheio delas. Procedeu então a desapertar as luzes do teto falso para atirar bolas de veneno lá para dentro. Também me disse que o meu spray e as 6 armadilhas não serviam para nada. Mesmo assim, eu fui buscar o spary e pus-me em cima do sofá. Perguntou-me “que haces?” e eu disse-lhe que, obviamente, se elas andavam por ali e se ele estava a mexer ali, podiam cair-lhe em cima e, caso isso acontecesse, eu estaria preparada. Vai daí caiu mesmo qualquer coisa e eu, em vez de atacar, nem fiquei para ver o que era, larguei a correr e a gritar. Foi todo um momento! Não era uma barata. Desde o dia 3 que não avistei mais baratas, com a graça de Deus.
Perguntou-me se queria espreitar o teto falso, não, não quero não senhor, muito obrigado. Inspecionou as áreas atrás dos frigorifico, da máquina de lavar e dos armários.  All clear. Deixou tudo cheio de veneno, que parecia topping de caramelo. Mencionou que, como elas andavam pelo teto falso, caíam ao chão pelos buracos das luzes. Tenho 4 luzes em cima da cama, não consigo expressar o quanto gostava que ele não me tivesse dado esta informação. Saber que, a qualquer momento, enquanto durmo, me pode cair uma barata em cima, é coisa para não dormir!
15.30 - Partiu dizendo que voltaria daqui a 20 dias para, da mesma maneira,  matar as baratas que agora ainda eram só ovos. Delícia... Diz que também é provável que volte a ver alguma por aí, nesse caso é só ligar-lhe, está disponível 24 horas.  Não se foi embora sem antes mencionar, com um olhar de thriller de terror, que as baratas não faziam barulho e que se eu ouvia barulhos então isso era outra coisa...

E eu cá estou, alerta, com o spray para atrás e para a frente e sem saber se tenho ratos, ou, a miúda do Exorcista escondida no teto falso. 

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