Eu escalei um Vulcão, e você fez o quê este Verão?!


O mundo está cheio de lugares comuns, esta frase é um deles. Escalar o Vesúvio, por exemplo, já é algo mais atípico. Não podia deixar Itália sem uma pequena aventura e nada melhor para rematar o último dia que uma visita a Pompeii, seguida por uma leve escalada do Monte Vesúvio. Digo leve porque não foi uma escalada tipo Monte Everest, foi mais uma escalada tipo Serra de Monchique. Que é como quem diz, a dar à pata. Considerando o calor e a inclinação, recorde-se de que estamos a falar de um vulcão, não é feito para ser menosprezado. Eu só pedia um bocadinho de trilha que não fosse a subir, só um bocadinho que fosse, assim, em linha reta. E pedia e bebia água, e pedia e bebia água enquanto subia, e pedia, bebia água, suava e continuava a subir. As minhas preces foram ouvidas quando atingimos o topo, onde jaz a cratera de um dos vulcões mais mortíferos de sempre. Ali, o caminho estabilizou-se. O vulcão é um buraco gigante, embora não muito profundo, o que torna difícil imaginar que há 2000 anos explodia de lava e fumo pelo céu e descia à terra arrasando cidades inteiras. Lá de cima vê-se Nápoles, estendida aos pés do golfo azul, e vê-se Pompeii. E não pensem que Pompeii estava ali, mesmo debaixo do vulcão. Não, Pompei estava e está a uma meia hora de carro, hora e meia se contarmos a subida a pé, o que torna tudo muito mais impressionante. A velocidade a que a explosão atingiu a cidade, partindo daquele mesmíssimo ponto que observamos depois de uma hora de escalada, é algo inconcebível. As pessoas não tiveram tempo para nada, morreram asfixiadas pelo fumo e carbonizadas pela lava enquanto ainda estavam a tentar decidir se era melhor esconder-se ou fugir.
A natureza tem este lado impulsivo, macabro e imparável, mas ela não faz por mal.
No topo do vulcão, inativo desde meados do século XX (pelo que ouvi, à socapa, um guia explicar aos seus excursionistas) , não há réstias de sofrimento nem sinais de fogo. Resta apenas a amálgama imponente de rochas que um dia arderam, misturada com grãos de areia e terra seca, e rodeada por umas vistas maravilhosas.

A explosão de que todos sabemos não está ali, por muitas bancas de souvenirs que ponham no caminho, antes se ouve pelos lugares comuns da nossa história. 







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