Dilemas à beira mar plantados

Apesar do tempo invernoso, ainda é Verão, pelo que me parece pertinente lançar um tópico que, com certeza, é comungado por mais usuários solitários da praia.
É, na verdade, uma questão de segurança pública e amor ao próximo. Passo a explicar: uma pessoa chega à praia, estende a sua toalha, despe a roupa e põe-se a fritar ao sol qual bife panado. Vai daí quer ir à agua. Surge então o dilema: vão roubar-me as coisas se for dar um mergulho?
A solução mais comum é pedir ao vizinho do lado, da frente, ou de trás, para, por favor, dar uma olhadela às nossas coisas. Eu faço isto, toda a gente faz isto e vai ao seu banho descansado da vida, que tem ali um guara-coisas privado. No entanto, esta situação levanta-me imensas angústias: primeiro, se alguém na praia é um potencial ladrão, como é que eu sei que não são aquelas pessoas a quem pedi que cuidassem dos meus pertences? Só porque estão à volta do meu diâmetro deixam de ser suspeitos? Porque têm um biquíni mais bonito ou porque trouxeram a geleira de casa? E se eu estivesse 10 metros mais à frente, então os atuais suspeitos passariam a ser de confiança e as atuais pessoas de confiança passariam a ser potenciais ladrões por estar mais longe de mim?
Eu que estudei lógica na universidade, digo que este silogismo não tem por onde se lhe pegue. Aliás, descamba por completo se imaginarmos que, efetivamente, aparece um ladrão a sério, ou uma pandilha que passa a correr e leva tudo de arrastão. Perante tão pavoroso cenário, acho mesmo que o meu vigilante vai salvar as minhas coisas? Não, não acho nada. Vou mais longe e confio em como a sua preocupação vai ser salvar-se a si mesmo e ao seu iphone e se for preciso até oferece a minha bolsa de praia aos malfeitores, embrulhada no páreo e com um lacinho de conchinhas.
E depois esperem porque há o reverso da medalha, que é quando me pedem a mim para cuidar das coisas de outrem. Ai que falta de paz senhores! Estou ali nervosa que nem uma alforreca, sempre a deitar o olho, a confirmar que está tudo na mesma e que os óculos de sol não se mexeram da toalha. E se vem alguém para roubar, faço o quê? Digo, olhe desculpe não pode ser que o dono está ali a fazer snorkeling e eu sou a guardiã desta mochila? Parto para a violência para defender algo de alguém que não conheço? Largo a correr atrás deles aos gritos, deixando descuidadas as minhas próprias coisas?

Ânsias, ânsias, ânsias! 
A sério, eu sofro com isto pá, é demasiada responsabilidade e muito stress e, de repente, em vez de estar na praia, a torrar relaxadamente, parece que estou outra vez no exame de condução!

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