Pela independência da independência

Qualquer dia acordo e já não vivo em Espanha, nem na União Europeia, e em vez de euros tenho francos catalães. Ainda se fossem libras esterlinas!
Os meus pais disseram-me que viram na televisão a concentração independentista da Diada Catalã, na passada sexta-feira 11 de Setembro, dia da Catalunha.
Eu também a vi de relance nas notícias e não quis ver mais. Para imigrantes como eu, é uma coisa que não só não faz sentido mas também já começa a incomodar, porque não tenho direito de voto na matéria e não acho graça nenhuma a que me mudem de país contra a minha vontade. Mais do que isso, acho que uma Catalunha independente não vai resolver nenhum problema, só vai dificultar o desenvolvimento económico e prejudicar o investimento estrangeiro, com a saída da União Europeia.
De resto, os políticos catalães não são melhores que os espanhóis, o circo é sempre o mesmo e tanta manifestação quando realmente não vivemos num estado oprimido, já é palhaçada.
Eu que até sou de esquerda e apoio a 100% a liberdade e a autodeterminação dos povos, acho que em vez de andarem a gritar independência como palavra de ordem, deviam gritar emprego, saúde e educação. A independência não vai trazer nada disso. Vai trazer caos e desordem e ninguém sabe realmente o que aconteceria se houvesse uma Catalunha independente.
É preciso lutar por melhores condições administrativas para a Catalunha? É.
É preciso pressionar o governo central para dar mais e tirar menos aos catalães? É.
É preciso sair de Espanha? Não.
E irrita-me que transformem um feriado e uma celebração cultural numa campanha política que explora os sentimentos das pessoas. O dia chama-se dia da Catalunha, não se chama dia do partido do senhor Artur Mas e dos catalães que querem a independência, que, ao contrário do que se vê na televisão, não são todos. Como se no 25 de Abril o Presidente da Câmara  saísse à rua com todos os seus apoiantes, proclamando a libertação de Lisboa e Vale do Tejo do resto de Portugal, porque é a região mais rica e não precisa das outras para nada, porque está muito bem sozinha, sem Portugal e sem a Europa.
Dito assim parece ridículo e impensável, mas é mais ou menos isso que se passa aqui.
E, entretanto, a corrupção e as questões que realmente afetam o desenvolvimento e a qualidade de vida da população ficam para segundo plano. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O síndrome de Bridget Jones

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens