Paris...

Já não podemos entrar num avião sem levar o coração nas mãos.
Já não podemos ligara televisão sem ouvir tiros e bombas e ver campos com centenas de refugiados.
E agora, também já não podemos passear pelas ruas de Paris.
Está oficialmente instalado o medo de viver.
Medo de ir a um concerto e levar um tiro.
Medo de sair de casa e levar com uma bomba.
Não estamos na Síria, não estamos no Líbano, não somos Israel nem a Palestina, mas o medo chegou até aqui. Caminha connosco de dia, deita-se na nossa cama à noite. E as previsões não são otimistas.
A Europa está toda a tremer, protagonista de um filme de terror, sem saber qual dos países será a próxima vítima.
O que aconteceu ontem em Paris foi uma réplica de tantos outros ataques terroristas que já aconteceram e que em qualquer momento podem voltar a acontecer em Londres, em NY, em Madrid e, porque não, em Barcelona ou em Lisboa.
Tanto faz se é a Al Qaeda ou a ISIS, o medo não responde por nomes.
O medo é o pão do terrorismo e parece que estão a dar um banquete!
A humanidade dividiu-se em pessoas e em terroristas. E os terroristas estão a espalhar-se por todo o lado e a acabar com a vida das pessoas.
O conceito da liberdade foi torcido e retorcido de maneira doentia. Aquele Maio de 68 são agora memórias poéticas de uma esperança que foi assassinada por uma Kalashnikov.  O “proibido proibir” perdeu a autoridade e em vez de “Praia sob o pavimento” temos um mar de sangre na calçada.
Imagino que a este ritmo, quando eu tiver filhos vão ter de aprender a disparar armas e a fazer bombas, antes de aprender a ler e a escrever.
A democracia não dispõe de argumentos para garantir a segurança. Ser confrontado com essa verdade chama-se ter medo. Muito medo e pouca fé.  
Como é que se pode parar alguém que não tem amor à própria vida? Que não teme nenhuma consequência? Que não respeita nada mais que uma obsessão?

Kamikazes numa luta sem glória, cegos de devoção a um Deus que, se existe, passou a noite a chorar.

   

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