Um dia mau

Há dias maus. Dias em que o nosso castelo de sonhos se desmorona a nossos pés sem nos dar tempo de apanhar as peças. Dias em que o peito se congela de choque e é difícil respirar e é impossível parar de chorar.
Dias em que nos puxam o tapete com tanta força e caímos tão fundo que parece que nunca mais nos vamos levantar.
Dias de:
Acabou-se.
É o fim do mundo.
Todo o esforço foi em vão.
Ser bom é inútil e acreditar nas pessoas é um erro.
Nesses dias não somos nada. Somos zero. Somos prova não superada.
Somos uma sombra de desilusão, negra e deprimente.
Somos a incredulidade em nós mesmos porque as palavras que nos disseram  ecoam na nossa cabeça como facadas afiadas, num ritmo rotativo.
A rejeição faz o coração encolher até ficar tão pequeno que já não cabe mais nada lá dentro.
A impotência dá-nos pesadelos.
Há dias maus.
Mas depois há o dia seguinte que é ligeiramente melhor.
Pelo menos já conseguimos levantar uma perna. E dois dias depois levantamos as duas. A sombra começa a dissipar-se e o coração começa a ganhar espaço.
Sentimos um soluço de coragem para acreditar em nós próprios outra vez porque vemos que há mais gente que acredita.
Vamos levantando a alma pouco a pouco, respirando fundo, que afinal se calhar não é o fim do mundo. 
Que as coisas acabam por ter a sua irracional razão de ser.
Que se calhar foi melhor assim.
A nossa consciência está tranquila porque sabemos que não fizemos nada mal. Que há coisas que transcendem a nossa vontade e o nosso controlo.
E pouco a pouco vamos recuperando as peças perdidas para começar a construir o nosso castelo de sonhos outra vez.
Não tenho jeito para números mas acredito que, probabilisticamente, é impossível que todos os dias do resto da nossa vida sejam maus.
Não. Depois dos dias maus têm que vir dias bons.

Vamos seguir em frente ao seu encontro, que para trás já não há caminho

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