Feliz 25 de Abril atrasado

- Hoje em Portugal é feriado.
- Ai sim, porquê?
- É o 25 de Abril.
(Silêncio).
Esqueci-me do 25 de Abril.
E só me lembrei que me esqueci porque calhou falar ao telefone com a minha mãe.
Não seria grave se não fosse um dia que representa tantas coisas em que eu acredito.
Não seria grave se não fosse um marco na história da nação.
Basicamente, não seria grave se fosse, sei lá, o dia da árvore. Com todos os meus respeitos ao Parque de Monsanto e à Floresta da Amazónia.
Mas é o dia de uma revolução do povo, de um país em harmonia contra a repressão, da música do Zeca Afonso e, principalmente, da liberdade. A liberdade, essa coisinha que nos dá a possibilidade de sermos o que queremos ser, de dizer o que pensamos, de escrever o que bem nos apetecer em blogs cor-de-rosa.
Senti-me desenraizada. Senti-me envergonhada.
Pensei, o que será que me aconteceu para não me lembrar da liberdade?
E a verdade é que me aconteceram tantas coisas nos últimos 6 meses, tantos sobe e desce, tantos castelos de areia construídos até às nuvens e destruídos em segundos por ondas gigantes, que se calhar recalquei um bocadinho essa coisa da liberdade.  
Mas esquecer, esquecer, não me esqueci. Os valores continuam aqui. Tanto, que precisamente esta semana recusei-me a pôr o meu brio profissional a preço de saldo. Decidi que a dignidade vale mais que o dinheiro.
Creio que é uma ótima maneira de maneira de honrar o 25 de Abril.
E o resto resolve-se com umas férias no Algarve e umas bolas de Berlim. 



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