Uma loucura genial

Estou deitada na cama, não consigo dormir. Não é que não tenha sono, não é que não esteja cansada. É mesmo que não consigo dormir.
Penso em elaborados planos de assassinato, sim, assassinato. Colectivo. Uma coisa sangrenta a valer!
Repasso os episódios que vi, com esmerada atenção, de um programa chamado “Crimes imperfeitos”. Basicamente, este programa ensina como matar alguém de maneira perfeita, mostrando os erros de casos reais em que os assassinos foram apanhados. Extremamente didático!
Mas depois lembro-me que o meu arsenal de armas se resume à frigideira antioxidante, à faca vermelha de cortar a carne e ao spray para matar baratas, o que acaba por me dissuadir dos meus planos psicopatas. Opto por deixar viver os senhores que estão a cargo das obras do apartamento ao lado.
São os senhores que durante o último mês têm contribuído cada dia para um aumento gradual das minhas olheiras e do meu mau humor. Os senhores que continuam a pôr o seu grãozinho de areia (com uma serra elétrica) para que a loucura comece a possuir a minha pessoa.
Fiz as conta, que isto é praticamente um assunto de estado e como tal merece a intervenção de uma calculadora, e o resultado é que estes fofos me roubam aproximadamente 3 horas de sono por dia.
Estão a deitar a casa ao lado abaixo, a remodelar tudo para transformar num apartamento de luxo e vender por um preço muito mais caro do que aquele a que o compraram. Parece-me um negócio maravilhoso, fico contente por eles, a sério que fico, mas o apartamento é parede com parede com o meu (e as paredes são falsas). A sensação é de que estão a martelar na minha mesinha de cabeceira e a furar a parede da sala de estar. A casa treme toda, que nem gelatina Royal.
É uma coisa assim bastante insuportável. Já tentei por tampões nos ouvidos, tapá-los com outra almofada ou usar os fones com música. Nada funciona. Não consigo dormir. E isto não é só quando quero dormir, é a qualquer hora entre as 9 da manhã e as 6 da tarde, qualquer hora a que eu queira estar descansada em casa, tenho sempre esta banda sonora heavy metal de fundo. Divino!
Deveria, pelo menos, existir uma indemnização para vizinhos afetados pelas obras da casa ao lado.
Resta-me apenas uma solução, que por sorte não me sentenciará a uma vida na cadeia: bombinhas de mau cheiro. Vou comprar bombinhas de mau cheiro, daquelas que os meus colegas mais ariscos do ciclo atiravam para dentro da sala de aula quando queriam evitar ter uma aula. Tenho tudo planeado. Quando me estiverem a perturbar com o PUM PUM PUM meto-as por debaixo da porta e vamos ver se eles param ou não.

É um plano genial! Só me falta descobrir onde raio é que se compram (e como é que se diz) bombinhas de mau cheiro. 

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