À beira de uma guerra cívil?

Esta manhã saí de casa e... surpresa! Não podia descer a rua. Estava colapsada pelos independentistas e as suas bandeirolas. Ora macacos me mordam, a festa da Mercê é só no Domingo, o dia da Catalunha já passou, o que é que esta gente faz aqui hoje senhores?
Tive que desviar pelo Paseo de Grácia e, durante todo o dia, fui ouvindo que as manifestações se alastravam por toda a cidade. É a lenga lenga de sempre, que querem fazer o referendo pela independência e, obviamente, votar que sim. E quem não quer a independência que se lixe e vá dar uma volta, literalmente.
Mas para o que é que querem a independência tão desesperada e desalmadamente? Ai isso não sabem, não dizem, não respondem. A meu ver é para que os políticos catalães possam roubar mais e mais a gosto, daí eles serem os principais impulsores do referendum, armados em salvadores da nação. Sim, porque agora não podem roubar sossegados, com a calma e tranquilidade que a boa corrupção requer. Que o diga o ex Presidente da Catalunha, Jordi Pujol (o promotor por excelência da independência), que foi apanhado depois de roubar mais de 70 milhões de euros durante 23 anos ao mando. Mas enfim, só poder ser por isso, porque acredito que ninguém no seu perfeito juízo queira afugentar o investimento estrangeiro, aumentar o desemprego, perder os acordos e os subsídios da União Europeia, sofrer bloqueios comerciais e receber um salário em “pesos catalães” que, muito provavelmente, valerão tanto como o franco da Guiné.
Nunca pensei que quando voltasse a casa, às 6 da tarde, a rua continuasse colapsada. Bem, não só estava colapsada, como tinha sido ocupada. A minha rua tinha sido completamente ocupada pelos independentistas, era impossível chegar até à porta de casa por ali. A multidão juntava-se a fazer reverência a um cartaz gigante que penduraram num cimo de um prédio “Welcome to the Catalan Republic”.  Acho que isto passa poucas vezes na vida de uma pessoa, sair de casa num país voltar a casa noutro, portanto considero-me uma afortunada por poder contar esta fantástica experiência. E pergunto-me....
Mas esta gente não trabalha ou quê? Não tem família, amigos, amantes? Não têm nada melhor para fazer numa quarta-feira do que andar a passear bandeiras, a pendurar cartazes e a semear o caos pela cidade?
A e tal muita democracia, mas o que eu sei é que não podia chegar a casa porque querem fazer uma votação anticonstitucional e ser independentes de um país onde eu estou muito bem, obrigado. Só é mesmo chato não poder chegar a casa por vossa culpa, meus fofos. Só é um pouco desconfortável ter a sensação de estar no meio de uma guerra civil. Só me sinto um tanto ou quanto ameaçada e descriminada por não ser a favor da independência.
Entretanto, o Mariano declarou Estado de Sítio e disse que aqui não vota ninguém, que se não param a brincadeira a bem, ele vai ter de parar a mal. O governo central já tomou o controlo das contas da Catalunha, retirou a autonomia do Presidente da Generalitat e revirou e revistou todos os postos de correios para proibir o envio de propaganda e boletins de votos.
Fascismo?
Talvez. Mas os independentistas são tão maus ou piores, porque dizem que querem uma votação, mas o que eles querem é uma imposição. Não gritam “Referendum”, não gritam “Liberdade”, gritam exclusivamente “Independência”. Ameaçam e atacam a polícia e qualquer pessoa que não estiver de acordo, e que ouse tomar a “liberdade” de expressar a sua opinião.  
Agora uma coisa é certa, gritam mais que 10 carruagens de uma montanha russa juntas. É realmente louvável o esforço das cordas vocais desta gente, que passadas as 9 da noite continua lá fora, a gritar independência ou a bater panelas nas janelas, como se isso fosse mudar o mundo. Indiferentes ao facto de que se desvie dinheiro público dos nossos impostos para pagar um referendum ilegal com o qual não estamos todos de acordo, em vez de pagar reformas, hospitais, educação, transportes...

Viva a independência! 


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