A vida não é justa

Imaginem acordar a som de uma serra elétrica todos os dias, por volta das 8 da manhã. Essa tem sido a minha vida nos últimos dois meses, há exceção de Sábados e Domingos, abençoado seja o Senhor! Quando espetaram na porta do edifício a autorização da Câmara para obras no andar de baixo, durante uma mão cheia de meses, eu subestimei a situação. O ano passado, passei outra mão cheia de meses com obras no apartamento ao lado, parede com parede, ruídos ensurdecedores, o teto a tremer que nem gelatina, a sensação de que a parede do quarto me ia cair em cima, e quantidades monstruosas de pó a passar para a minha sala por aberturas que eu não sabia que existiam. Entrava em casa e só faltava aparecer D. Sebastião a cavalo, tal era o nevoeiro. Mesmo assim sobrevivi. Daí pensar que as obras no andar debaixo não poderiam, jamais, ser piores do que as do ano passado na casa do vizinho do lado. Mas afinal podiam. Escrevo este post à beira da esquizofrenia total, no princípio de um ataque de pânico com histeria nervosa. Não aguento mais!Isto é um sem viver!!! Vocês imaginam lá o que é dormir sabendo que, de repente, nos vão acordar a fuzilar paredes! Parece que usam metralhadoras para fazer as obras, ou o caraças pá! Já não consigo dormir tranquila, estou sempre naquele sono leve, naquela ansiedade irritante, naquele pequeno sobressalto à espera de acordar de um pulo com o TRUUUUUUUUUUUUUUUM TRUUUUUUUUUUM TRUUUUUUUUUUM!!! Cada dia é uma lotaria: será que hoje começarão às 8.30h, ou será que me deixarão dormir até às 09.00h? Será que vão passar a sua jornada laboral a martelar os meus ouvidos e a minha paciência, ou será que se vão dedicar a pôr azulejos no chão e a pintar paredes, para me dar uns minutos de alívio e descanso? Será que é hoje que vou perder as estribeiras e fabricar uma bomba com um tutorial da internet e acabar com as obras para sempre, ou será que optarei por, dissimuladamente, empurrar os operários pela escadaria abaixo?  No ano passado eu tinha o álibi de trabalhar fora de casa. Este ano, por fatalidades do destino, não tenho álibi nenhum e passo grande parte do meu tempo às voltas por aí porque, simplesmente, não posso estar em casa. Hoje mesmo, tive de vir escrever para um café com wifi porque era absolutamente impossível ficar em casa, tive a impressão de que até as janelas queriam sair! Já reivindiquei isto o ano passado e volto a bater o pé: devia haver uma indemnização obrigatória por lei para as pessoas afetadas pelas obras dos vizinhos. Aposto que uma plataforma de afetados por obra alheia teria mais apoiantes que o nacionalismo catalão! É que uma coisa é mudar a casa de banho, e outra bem diferente é fazer um prédio novo no andar de baixo. Sigo firme na minha convicção, devia haver uma redução obrigatória no aluguer, um subsídio para o psicólogo e para os pequenos-almoços nos cafés com internet, enfim, devia haver algum tipo de compensação, porque não é justo que eu não possa dormir descansada, nem estar tranquila na minha própria casa, pela qual pagos os olhos da cara todos os meses. Sem contar que o wifi dos cafés é um cocó. E pronto, vou aventurar-me a voltar ao lar, pelas minhas contas agora devem estar na pausa do almoço pelo que talvez, com um pouco de sorte, eu também consiga almoçar!

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