Boa noite Espanha, bom dia Catalunha?

Esta pode ser a minha última noite em Espanha. Não porque eu tenha pensado mudar de país, nem pouco mais ou menos, mas porque o senhor Puigdemont, Presidente da Catalunha, tem pensado fazer uma declaração unilateral de independência, amanhã, depois do seu referendum ilegal, desculpem, democrático. Enviou-me, aliás, um “flyer” em preto e branco por correio, para eu não me esquecer de ir votar e para levar 7 pessoas comigo, como se fosse a promoção de Natal lá do ginásio. Mas em vez de receber um desconto na mensalidade, diz que se eu levar 7 pessoas a votar “ganha a democracia”.
Por outro lado, se eu não for votar “eles ganham”. Então é isso: “Democracia” x “Eles”. Uma proposta um quanto ou tanto abstrata para ser a base de um novo país, digo eu, mas eu também nunca abri um país novo. Acho só curioso que uma democracia arranque com ameaças de morte pintadas nas paredes de uma escola secundária, contra a Presidente da Câmara da localidade, que decidiu acatar a lei da constituição e não abrir a dita escola para que os nacionalistas pudessem ir lá votar.
Hoje, esta é a dinâmica dominante: o governo central mandou a polícia fechar e vigiar todas as escolas onde se devem realizar fisicamente as votações do referendum, as escolas decidiram organizar atividades pela noite fora para ficarem abertas até amanhã de manhã. As urnas estão escondidas nas casas dos vizinhos.
Aqui continuam a dizer que vão votar, em Madrid continuam a dizer que não vota nem o Papa.
Eu digo que a situação se transformou num pequeno circo e que começa a roçar o ridículo, de ambas as partes
Saem à rua os nacionalistas com as suas bandeiras independentistas e saem à rua os que não são nacionalistas com a bandeira de Espanha. Há catalães de ambos os lados.
Entretanto, o comércio de bandeiras dobrou a quantidade de vendas. No total, estão a vender ainda mais bandeiras do que quando a Espanha ganhou o mundial!
A mim não me apanham a abanar bandeirolas pela rua. Nem uma, nem outra.
Não voto em políticos, porque só voto naquilo em que acredito.
Voto pela liberdade, voto pela democracia, voto pelo amor, voto pela paz, voto por um mundo melhor. Voto para que todas as pessoas possam ter as mesmas oportunidades, voto para que melhorem as condições de vida gerais da população, voto para mais trabalho, melhores salários, melhor educação. Voto para que não seja preciso pagar um sistema de saúde privado, voto para que toda a gente tenha casa e comida, voto para que a cultura, a arte e a ciência recebam mais subsídios. Voto para que os bancos e os políticos não nos possam roubar. Voto para que os jovens não sejam obrigados a emigrar. Voto pela segurança e pela proteção ambiental. Voto por uma sociedade justa, pela igualdade e pela inclusão, independentemente do sexo, raça ou religião.
Há muitas coisas pelas quais votar, mas não vejo nenhuma refletida no referendum independentista.

Amanhã, como todos os dias, eu vou votar por ser feliz.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!