Vamos à feira?

A Mercé é uma festarola bem gira para celebrar a Santa de Barcelona.
Fazem concertos ao ar livre por toda a cidade, as pessoas animam-se a dançar “Sardanas”, que é uma coisa que eu já desisti de tentar entender. Basicamente, consiste em conjugar dois passos para a direita com dois passos para esquerda, sempre ao mesmo ritmo lento quase parado, num círculo formado por várias pessoas com os braços no ar. E olhem que isto é uma descrição com emoção!Outra coisa para lá de gira, é que na Mercé temos sempre feriado, mesmo se cair Domingo, como aconteceu este ano, e portanto Segunda-feira ninguém foi trabalhar. O que, se juntarmos ao clima ameno que ainda se faz sentir, é toda uma delícia.Mas se há coisa com que eu vibro de verdade é a feira de atrações que montam na Barceloneta, ao estilo da feira de Santa Iria de Faro, onde vivi grandes noites da minha adolescência!A música apimbalhada em volume máximo, as luzes fluorescentes que nos encadeiam a cada olhar, o cheiro a farturas e algodão doce, aquele salto que o estômago dá nas atrações que são mesmo boas, sinceramente não sei dizer do que é que gosto mais. Sou uma fã confessa de parques de diversões, seja a feira de rua com segurança duvidosa, seja a Eurodisney com os seus efeitos especiais, eu cá adapto-me a tudo.O problema é conseguir convencer alguém da minha idade a partilhar este meu entusiasmo e a arriscar o pescoço em gruas giratórias com luzes de neon, que sobem a 50 metros de altura e nos deixam pendurados de cabeça para baixo. Pois é, não está fácil. As pessoas depois dos 25 parecem ter um maior apreço pela própria vida, apesar de ser extremamente mais aborrecida que aos 15.Eu chego à feira e os meus olhos brilham de furor, o meu corpo vibra de excitação ainda mais do que quando era pequena, porque agora há toda uma nostalgia acrescentada ao processo de ir à feira e porque os meus pais já não me obrigam a voltar para casa à meia-noite. Quero andar no comboio do terror, quero desbravar a casa surpresa, quero meter-me em todas as coisas onde as pessoas gritam, quero conduzir carrinhos de choque, quero comer coisas fritas e com corantes.Mas as minhas amigas querem pescar patinhos de borracha, jogar ao bingo e, na melhor das hipóteses, dar uma voltinha na roda gigante.  Por sorte, uma delas trouxe o namorado a reboque e ele, não sendo tão aventureiro como eu, lá me ajudou a convencê-la de que era boa ideia andarmos no Kanguru - o meu eterno clássico e atração favorita de todos os tempos. No princípio caíram-lhe ali umas lagrimazinhas de histeria, mas depois rimos que nem loucos durante toda a “viagem”, aos saltos para trás e para frente, com direito a jactos de água em plena cara no final, toda uma inovação tecnológica!
Não sei bem até que idade ir à feira continuará a ser um dos meus programas de eleição, mas digo-vos que depois de andar no Kanguru, já só feliz para o resto da vida. 

De resto, tivemos de conciliar interesses, eu cedi nas minhas atrações extreme e alinhámos todos nos carrinhos de choque e no algodão doce. O bingo foi descartado por maioria absoluta.







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