Voltar a casa no Verão

Às vezes tudo o que precisamos é voltar a casa. Não necessariamente a casa onde vivemos, mas a casa onde crescemos.
Voltar a descobrir os hot spots de Lisboa, dançar até às tantas em Alcântara, ser confundida com uma turista no Terreiro do Paço, passear na baia de Cascais e aventurar-se pelas praias da linha, onde é preciso levar casaco para entrar na água. Jantar em família, jantar com a malta da faculdade de quem se tem tanta saudade, jantar com malta que não se conhece de lado nenhum. Conhecer gente nova, conhecer a casa do amigo que foi viver com a namorada, conhecer o bebé da amiga que já teve um filho. Fazer macacadas com a irmã, usando os filtros do Snapchat (muito melhores que os do Instagram!).  Caminhar até Belém, não fazer fila para comprar os pastéis por ser da terra e já saber que há duas filas, embora os turistas se apinhem todos em apenas uma.
Sentar-se à beira rio a apanhar sol e contemplar o Tejo a brilhar, a ponte e o Cristo, o Padrão e a Torre, os Jerónimos e a fonte onde andávamos às voltas de triciclo.
Passear de carro pela marginal tantas vezes quantas for possível, porque afinal é a  marginal mais bonita da Europa, do mundo se me perguntarem a mim. Descobrir que a Madonna veio viver para a nossa cidade e que o filho joga no Benfica. 
Comer muito e tão bem: o empadão da avó, o bacalhau com natas da mãe, os pastéis de Belém; o frango assado com batas fritas, a massada de peixe, os doces do Algarve, o “melhor bolo de chocolate do mundo” e a bola de Berlim! Ai a bola de Berlim na praia num dia de sol é, sem dúvida, um dos maiores prazeres da vida. (Desculpem o entusiasmo, mas em Espanha não há bolas de Berlim).
Tirar fotografias em todos os cantos, recantos e esquinas, sem pudor. Como se nunca antes tivéssemos estado ali, como se não fossemos voltar nunca mais (pelo menos até ao Natal).
Andar por onde já não se andava há tanto tempo e ver como tudo mudou...
Procurar estacionamento em vão e acabar do lado oposto de onde devíamos estar. O lado onde só os sonhos podem ficar.
Às vezes é preciso voltar a casa. Lembra-nos de onde viemos, lembrar-nos de quem somos, lembrar-nos de como éramos e perceber quão longe chegámos. Estar com as pessoas que nos conhecem desde sempre, que são as que estão ali para nós incondicionalmente.  

E assim, voltar felizes, porque sabemos que não estamos sozinhos e que vai ficar tudo bem. 






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