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A mostrar mensagens de Outubro, 2017

Em direto de um país que, agora mesmo, não se sabe bem qual é...

Diz que desde Sexta-feira, às 15.10h da tarde hora local, estou a viver na República Independente da Catalunha. Mas também diz que essa declaração é anticonstitucional e, portanto, continuamos a viver em Espanha. Diz que diz que disse e, entretanto, é como se estivéssemos a viver numa fronteira sem pátria, como se estivéssemos a viver ali no meio do Guadiana, entre Vila Real de Santo António e Ayamonte, sem saber se somos Espanha ou Portugal. Boh… Antes de tudo, gostaria de apontar a falta de consideração e respeito por declararem a independência à hora da sesta, uma tradição milenar tanto em Catalunha como em Espanha, e aqui acho que estamos todos de acordo.  Segundo, salientar que para uma campanha política que vai a reboque da “liberdade” e da “democracia”, fazer uma DUI (declaração unilateral de independência) soa a algo franquista, ou a um método contraceptivo.  Terceiro, vamos então analisar o que é que mudou, não só desde que vivemos na República Independente da Catalunha, mas de…

"It" - Capítulo I

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Achei que a minha vida não estava suficientemente emocionante com um novo projeto profissional e esta espécie de guerra civil que estamos a viver em Barcelona, e pareceu-me boa ideia ir ver o filme de terror “it” que promete ser um dos mais assustadores do ano. É um filme que assusta, sem dúvida, que nos deixa numa ansiedade perturbadora, mas que também tem cenas mesmo estranhas, um misto de abstrato tenebroso com surreal inesperado. Baseia-se num livro, que tem de ser a coisa mais angustiante de ler e mais desaconselhada para leituras antes de ir  dormir. Aliás, fizemos questão de ir dar uma volta pela praia depois da sessão, para desanuviar a tensão.  Mas tem uma coisa engraçada este filme: ao contrário da maioria dos filmes de terror, em que quanto mais nos adentramos no filme mais medo nos dá, neste filme os personagens principais vão perdendo o medo e nós sentimos o mesmo.  Quando o psyco palhaço aparece nas últimas cenas, já não fecho os olhos, já nem sequer ponho as mãos na ca…

Viva a greve!

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Estou a adorar a greve geral da Catalunha! Não entendo como é que uma greve na Catalunha vai afetar alguém em Madrid, não me consta que hoje Mariano Rajoy tivesse de apanhar o metro na Plaza Catalunya ou um comboio na estação de Sants.  Quem se lixa são os mesmos de sempre, as pessoas que têm de ir trabalhar e não têm tempo para andar na ramboia a cortar ruas, a fazer barulho, a lançar insultos, a semear o caos e a causar distúrbios, pacificamente!  Mas estou a adorar a greve, estou sim senhor, porque os senhores das obras do andar de baixo decidiram, também eles, solidarizar-se com a causa e faltar ao trabalho. O que quer dizer que esta manhã não acordei ao som do berbequim nem da serra elétrica, não me tive de refugiar num café vizinho e posso estar descansada a trabalhar na paz do meu lar. E isso é uma benção de Deus! O único barulho chato é o helicóptero que sobrevoa constantemente o centro da cidade há vários dias, tal como aconteceu aquando dos ataques terroristas, mas lá está,…

Isto parece as eleições em Angola!

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2 de Outubro de 2017: Barcelona continua em Espanha.
O que aconteceu ontem aqui foi o que era esperado: uma triste palhaçada. As pessoas mantiveram-se firmes na sua convicção de votar e o governo central manteve-se firme na sua proibição, demasiado firme diria eu, já que mandou a polícia distribuir porrada  a torto e a direito, invadir escolas, roubar urnas, enfim, fazer o maior ridículo possível. Uma atuação vergonhosa que só reforça ainda mais o sentimento independentista e transforma o governo catalão em vítimas oprimidas na luta pela liberdade. Porque se até agora não tinham razões concretas para justificar uma suposta repressão, desde ontem têm toda a razão do mundo. Rajoy, que assim nos faz duvidar se ele mesmo não será também independentista, deu-lhes vários argumentos em imagens cheias de sangue, altamente exploradas pelos meios de comunicação. Acrescentar que também não foi nenhum massacre, que eu saí à rua e não vi ninguém ferido, estava tudo aparentemente normal, e que todas…