A queda de um Anjo no desfile mais famoso do mundo

As imagens já deram a volta ao mundo e em menos de 24 horas a notícia voou de Shangai a Machu Picchu: um anjo da Victoria’s Secret caiu. Mas não caiu do céu, não, caiu no meio da passarela, perante o olhar inédito e assustado de centenas de pessoas. Não é que tropeçou delicadamente, não é que escorregou e se aguentou em grande estilo, nada é nada disso. Estatelou-se ao comprido, foi de boca, deu um trabalhão old school. E ainda se pode dizer que teve sorte, por não ter partido os dentes. A modelo em questão foi nada mais que nada menos que a chinesa Ming Xi,  o “anjo nacional” que desfilava em “casa”.  Ming realizava o seu 5º desfile com a VS, mas nunca tinha tido tanta projeção como este ano, que se transformou na imagem asiática da marca e na embaixadora oficial da primeira loja VS com roupa interior no Oriente. Com a sua queda esplendorosa, conseguiu certamente gravar uma imagem inesquecível que ficará para sempre na história dos vídeos do YouTube.
Tudo ia bem para Ming, sorria e caminhava divinamente, até que escorregou de repente e engoliu ferozmente o catwalk. O próprio Newton teria ficado estupefato perante a força desta gravidade. Ming tentou minimizar os danos, ajoelhou-se, recompôs a coroa que levava na cabeça, levantou-se e seguiu caminho com a ajuda da modelo que vinha atrás, e que altruisticamente cedeu o seu momento de glória para ajudar a companheira. Ainda bem, porque mais ninguém a ajudou. Havia um cantor mesmo ali, que continuou a cantar como se não houvesse uma modelo esparramada no meio do chão, e a modelo que ia à frente também continuou a andar que aquilo não era nada com ela. The show must go on, e no fundo suponho que eles estavam tão em choque como a acidentada.
Não há nada pior para uma modelo do que cair no meio de um desfile, principalmente se é o desfile mais importante da sua carreira. Eu que não sou modelo temo e tremo uma queda iminente, cada vez que vou de salto alto pela vida: cada vez que avanço por um restaurante, um bar ou uma da discoteca, cada vez que me levanto para ir à casa de banho, cada vez que desço as escadas de um teatro ou de um pavilhão desportivo, cada vez que aplico um movimento de dança mais ousado. No meio disso tudo, já caí várias vezes com algum aparato e muita vergonha. Lembro-me especialmente de uma vez que caí de rabo no meio do passeio no centro de Ibiza, em plena luz de um dia de Agosto, de havaianas e páreo de praia, em frente dos meus amigos e de centenas de turistas que não coibiram as suas gargalhadas. Outra vez, ia com tanta pressa que tropecei à porta do cinema, caí de joelhos, e embora ninguém tenha visto, passei o filme todo com os joelhos a sangrar e a arder –  uma comédia dramática.  De ambas as vezes a minha reação foi a única que se pode ter, rir para não chorar. E foi isso que Ming Xi fez também, riu-se de si mesma e saiu airosa da embaraçosa situação, perante os aplausos de apoio do público. Eu partilho, sinceramente, a sua dor e aplaudo também de pé. Olé tu!

Toda a gente cai em algum momento da vida, o importante é conseguir levantar-se. 

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