Mãe, cortei o cabelo! (pela primeira vez em 15 anos)

Quando era pequena, os meus pais insistiam em cortar-me o cabelo à rapaz (ou à cogumelo como eu lhe gosto de chamar), com o argumento de que o meu cabelo era muito fino e era preciso cortá-lo para que crescesse mais forte. Um argumento que, por um lado, carece de cientificidade e, por outro, também não é muito válido para uma menina de 7 anos, já que as nossas perspectivas de futuro nessa altura da vida não vão mais além de pensar no que é que vamos brincar à tarde, ou que jogos pedir pelo Natal.
Para mim, uma apaixonada por barbies, nenucos, pollypockets e vestidos de princesas, o cabelo à rapaz era todo um trauma. Chorava, reivindicava, esperneava, mas não havia maneira de lhes arrancar um troço de compaixão. Tinham zero empatia com a minha causa. E zasca!  
Estranhamente, quando passei a ter autonomia sobre o meu cabelo, optei por um estilo curto, não à rapaz, isso nunca mais nesta vida nem nas próximas, mas um estilo um pouco abaixo do queixo, muito popular durante a minha adolescência, em que o cabelo estava mais curto atarás e mais comprido à frente.
Estava numa fase de ser “cool”, de manifestar-me e de ser diferente, e o cabelo comprido era demasiado “normal”. Eu usava canetas e cordões das sapatilhas (limpos, por estrear) no cabelo, e pedia à minha mãe para rasgar os jeans e fazer ali um apanhado com clips, o qual eu considerava que era o suprassumo de ser “cool”.  E, se não me falha a memória, também punha missangas às cores nos clips. Extrapolava o “cool”!
Enfim, acho que algures depois dos 15 anos deixei-me de clips e de atacadores no cabelo e decidi ser mulher. Desde então, e já lá vão outros 15 anos e tal, tenho o cabelo comprido. Com franja, sem franja, com a franja ao lado. Castanho, com californianas, liso, com ondas, mas sempre, sempre, um palmo por baixo da altura dos ombros, ou mais!
Mas 15 anos é muito tempo, e estava com vontade de mudar. Foi uma vontade alimentada pelo boom de bobs e estilos curtos de várias modelos e celebrities, que fui cultivando pouco a pouco, até ganhar coragem. Comentei com o meu cabelereiro, mostrei-lhe fotos de referência, ele disse-me que o meu cabelo não tinha volume suficiente para ficar como as fotos que eu queria, mas que podíamos cortar assim e assado. E eu disse que não, e voltei a dizer que não na vez seguinte e na vez depois da seguinte também.
Mas ontem, não sei o que é que me aconteceu, eu que ia só para fazer cor, de repente, enchi-me de coragem, ou se calhar foi mais ele que me encheu de motivação, a dizer que era melhor cortarmos aquelas pontas “feias” e bla bla bla.
Bom, em resumo, muita foto no instagram e muita vontade de ser uma “it girl” levaram a um corte de um palmo de cabelo, pela primeira vez em 15 anos! Uma mudança de look radical para começar 2018 com novas energias.
Estou em choque…
Esta manhã acordei, olhei-me ao espelho e voltei para a cama, decepcionada.
Tudo muito “it girl” sim senhor, muito fashion, muito cool, muito sofisticado, adoro o corte, gosto do estilo, a cor está maravilhosa mas… não há nada a fazer, eu vou ser sempre a menina que gosta de vestidos de princesas e de cabelo comprido.

Resta-me rezar e esperar que volte a crescer até ao Verão…


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