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A mostrar mensagens de Novembro, 2018

O síndrome de Bridget Jones

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Ela disse que tinha coisas para me contar e eu disse que também, afinal, não nos víamos desde o Verão. Enquanto jantávamos só eu é que falava, ela assentia, ria, comentava, quem não conhecesse não notaria, mas eu sabia que ela estava estranhamente calada, como se estivesse à espera do momento certo. E lá está, depois de termos comido, bebido e repetido o “solomillo”, ela fez uma pausa dramática e anunciou que tinha que me dizer uma coisa. Eu tentei desviar-me da bomba: - Não me digas que também estás grávida ou que te vais casar, não me digas isso hoje! Ela sorriu, e procedeu a quase esmurrar-me os olhos com o pedregulho do anel de noivado, até então meticulosamente escondido nas mangas largas. E eu suspirei, tentei sorrir de volta com emoção, mas foi um fracasso. Em vez de um entusiasta Uau! Parabéns!, saiu-me um “Pfff és a milésima pessoa este ano que me diz que se vai casar, ou que está grávida, ou que pariu…”. Ao que ela respondeu, e muito bem: - E tu não estás feliz por mim??? Olha v…

Diz que está de moda...

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Ora então diz que está de moda um livro chamado Sapiens do autor israelita Yuval Noah Harari. Vi-o girar pelas redes sociais, sempre em mãos masculinas. O que poderia ser o nome de um manual de biologia, é um dos best-sellers do ano! De tanto o ver ficou-me na cabeça, até que um amigo me recomendou dizendo que aquilo era o que os homens liam e que se queria entender como os homens pensam, tinha que ler o Sapiens. Ora eu que nem sei como é que eu mesma penso, acho que isso de entender como os homens pensam está sobre valorado. Primeiro, gostaria de entender-me a mim, saber porque é que um dia acordo em modo Beyoncé no dia seguinte já acho que estou gorda mas, não obstante, vou comer nachos e crepes com Nutella. Eu, que nas segundas nunca quero fazer nada e quando chega o domingo e posso ficar o dia todo na cama, quero fazer tudo menos ficar em casa. Eu, que já não me cabe mais roupa no armário, mas nunca tenho nada para vestir. Eu, que não sei de que par de sapatos gosto mais, nem que mú…

Um peso na consciência

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Ando há três semanas com um peso na consciência, um remordimento na alma, uma comichão na dignidade. Roubei um guarda-chuva. Não foi um crime premeditado, não tive uma infância problemática, não tenho cadastro e não andei anos a elaborar um plano de assalto. Poder-se-ia mesmo dizer que agi em defensa própria. Não obstante, os factos são irrefutáveis, vim para casa com um guarda-chuva que não era meu e pretendo assumir as responsabilidades perante os meus atos. Não foi uma confusão, eu sabia muito bem que aquele guarda chuva não era o meu, principalmente porque se abria com um botão e o meu não.  No entanto, o que aconteceu foi que alguém levou o meu, ou guardaram-no noutro sítio, não estava claro. O que estava claro era que chovia torrencialmente, eu precisava ir embora, o meu guarda-chuva estava desaparecido em combate, fiz o que tinha que fazer para sobreviver sem me molhar. Mas depois disto nunca mais fui a mesma. Porque sempre que entro numa loja, num restaurante ou em qualquer sitio …